Corre um pouco por toda a internet o termo “revenge spending”, que provavelmente muitos de nós nunca tinham ouvido falar – o que faz sentido quando percebemos do que se trata, porque de facto nunca tivemos nenhuma situação nas nossas vidas que nos obrigasse a ficar confinados como estamos agora. Basicamente revenge spending simboliza um comportamento de consumo anormal após um período de privação – neste caso significa que após todo este isolamento e afastamento da nossa “vida normal”, queremos voltar a ela e gastar o dinheiro que não pudemos gastar entretanto em artigos que nos dão prazer!

O caso da Hermès

A história não é do dia de hoje mas faz todo o sentido recordá-la porque não deixa de ser… surpreendente. Depois do caos da pandemia… estaremos a assistir ao início do revenge spending. No passado fim-de-semana a Hermès abriu as portas da sua loja mais recente na China, em Guanghzou, e num só dia ultrapassou a marca dos dois milhões e meio de euros em vendas. Isso, leram bem: 2,5 milhões em menos de 24 horas. Para além dos seus produtos habituais de luxo, a loja tinha também para venda algumas peças especiais, raras, e que custavam valores acima da média. Não sabemos se estas foram todas vendidas, mas imaginamos que muitas delas tenham sido, olhando para o valor total de mais de dois milhões e meio de euros gastos num só dia de actividade.

Lemos no Dinheiro Vivo que também outras marcas, como a Gucci e a Burberry, já têm registado tendências semelhantes. E se por um lado se pode dizer que estas lojas vendem produtos pouco necessários… também é verdade que normalmente é desse tipo de produtos não essenciais que retiramos maior satisfação pessoal!

Em Portugal parecem aparecer os primeiros sinais de luz ao fundo do túnel, e depois de ouvir as palavras recentes do Presidente da República, aquilo que esperamos é que Maio seja mesmo um mês de regresso progressivo à vida fora das nossas casas. E claro, que possa haver também por estes lados algum revenge spending para fortalecer as marcas que cá investem: sobretudo as nacionais/independentes mas também todas as outras que fazem a economia fluir. Seria bom sinal se assim fosse!