Apesar de ter acontecido ontem o último directo deste isolamento no Instagram do Bruno Nogueira – ou se preferirem, o último “Como é que o bicho mexe” – também há boas notícias: a principal é que o próprio Bruno já garantiu que isto não é o fim, mas sim um até já. Segundo o próprio, a filha fê-lo prometer que o formato voltaria e… uma promessa a uma criança não se quebra nunca!

UM ATÉ JÁ EMOTIVO

Foi épico. E não, esta não é mais uma daquelas vezes em que se usa esta palavra em vão: foi mesmo! Sentimo-nos um pouco de volta a 2004, quando o autocarro da selecção foi escoltado de Alcochete até ao Estádio da Luz por milhares de portugueses. Lembram-se?!

Tudo começou às 23:00, com… uma falha técnica! Não sabemos se fomos todos nós a tentar entrar ao mesmo tempo que bloqueámos o directo, mas a verdade é que foi preciso começar uma segunda vez. E nessa segunda tentativa, começámos por ver Dillaz, em direto, a tocar o genérico do programa e poucos minutos depois, ainda o carro onde estavam o Bruno e o Nuno não tinha arrancado e…. já mais de 100 mil  pessoas estavam a ver em simultâneo. A partir daí… tudo correu como esperávamos que corresse: o Natal estava à janela… em Maio! Depois do apelo do Bruno para que enfeitassem com luzes de Natal as varandas e tudo o que pudessem, a resposta foi de facto incrível. Vimos muitas e muitas casas com luzes e enfeites, e quase sempre com pessoas à janela, de copo na mão, a brindar e a agradecer. E dentro do mesmo carro, Bruno Nogueira e Nuno Markl iam agradecendo, muitas das vezes emocionados e quase literalmente sem palavras.

Os convidados habituais foram entrando mas, como quase todos os dias, também houve surpresas! Houve promessas pagas (com bolinha vermelha no canto), Bruno Fernandes em directo a partir de Manchester, cartazes gigantes afixados na Marginal com palavras “especiais” para os fãs do “bicho” e, a cereja no topo do bolo, O melhor do Mundo. Sim, no último dia da primeira temporada… tivemos CR7 em directo!

O Porto também esteve representado, através dos olhos da Beatriz Gosta que mostrou como se viveu por lá o momento. E nem um saltinho ao Polo Norte faltou…! Já o final, foi bem no coração de Lisboa. Rodeados de carros, motas e pessoas a pé que queriam agradecer ao Bruno e ao Nuno, estes dirigiram-se para o mítico Coliseu dos Recreios, onde por lá encontraram o Salvador Sobral (sim, cantou… e num sítio especial!) e ainda outros convidados…!

No fim houve Filipe Melo ao piano e outros momentos que deixamos que vejam sozinhos – sim, porque no último dia… o Bruno deixou o directo publicado no seu perfil. É só ir lá espreitar. São duas horas de emoção e felicidade genuína… vão por nós.

Os números não são o mais importante, mas temos que dizer que habitualmente estes directos eram vistos por cerca de 50, 60 mil pessoas em simultâneo. Ontem à noite o pico de pessoas juntas a ver ao mesmo tempo foi de… 170 mil. I-n-a-c-r-e-d-i-t-á-v-é-l.

MOMENTOS QUE MARCARAM A QUARENTENA

É quase impossível descrever em palavras o significado que teve esta iniciativa para centenas de milhares de pessoas que passaram pelos programas ao longo destes últimos dois meses. Mas vamos tentar!

Diariamente, de segunda a sexta-feira, as 23:00 foram a hora mais aguardada dos nossos dias (sim, nós também por lá estivemos). Uma hora de desabafo, de entretenimento puro e descomprometido e, acima de tudo, de esperança em dias melhores. Ao longo de dois meses foram muitos os momentos que nos fizeram rir à gargalhada, nos inspiraram e nos emocionaram. E foi essa receita que fez com que centenas de milhares de pessoas que não se conhecem se sentissem… em família, isolados mas mais juntos do que nunca.

Para a história ficarão muitos momentos deste “programa” que tem tudo de novo e orgânico, e nada de convencional, nem nenhum filtro. Um “programa” que também acontece em nossas casas sempre que nos reunimos com os nossos melhores amigos, mas que agora aconteceu ali, com um propósito maior, global e agregador.

Não esqueceremos nunca aquela realidade muitas das vezes paralela para que todos os convidados nos levaram: desde as teorias do Markl, à excentricidade do Albano Jerónimo, passando pelo riso contagiante do Nuno Lopes, pela honestidade sem fronteiras da Inês Aires Pereira, do João Quadros e da Beatriz Gosta, pelas histórias do Salvador Martinha e do Ljubomir Stanisic, pelas discussões com o Manzarra e, claro, por toda a genialidade e emotividade do Filipe Melo ao piano. Também nunca esqueceremos a participação inesperada de Eunice Muñoz, a emoção de ouvir Maria João Pires tocar o Clair de Lune em directo e, muito menos, Vhils a esculpir a cara de Zeca Afonso numa parede de sua casa, ao som de “Grândola Vila Morena” – enquanto entrávamos na madrugada do dia 25 de Abril. Todos os convidados tiveram momentos mágicos à volta de um homem que teve uma ideia que se tornou muito mais do que isso.

Depois de tantas incertezas e medos que sentimos durante estes meses, o “Como é que o bicho mexe” faz-nos acreditar que nos momentos mais baixos estaremos sempre mais juntos do que separados. E esse é o maior legado que ele nos deixa. Assim, a partir de agora, e para sempre… We will always have Bruno.

Fotografia: Reprodução Instagram, D.R.