É conhecido por todo o mundo como o “special one”, um dos melhores treinadores da história do futebol. É um dos poucos a ter conseguido, entre muitos outros troféus, ser campeão em quatro ligas diferentes (portuguesa, inglesa, italiana e espanhola) e ainda a ganhar a Liga dos Campeões por dois clubes diferentes: Porto e Inter de Milão.

…Mas para além dos resultados, Mourinho é também um treinador com uma personalidade especial. Amado por muitos e, de alguma forma, odiado por outros, Mourinho é daquelas figuras que desperta sentimentos fortes. É frequente ver os seus ex-jogadores a contarem as mais variadas histórias sobre a forma como se relacionaram com ele, ou como este reagiu perante determinadas situações adversas – e quase sempre estas são muito elogiosas, uma prova de que para Mourinho, desde que o aceitem como ele é, os seus jogadores estão no centro de tudo!

UM MOMENTO ESPECIAL…

Ontem veio a público, a propósito de terem passado 10 anos da conquista do triplete pelo Inter de Milão, com Mourinho a comandar os nerrazurri, um momento que ficou para a história: quando Mourinho segredou algo ao ouvido de Guardiola, de forma aparentemente provocatória, durante a 2ª mão da meia final da Liga dos Campeões – que Mou e os seus rapazes viriam a vencer. Muita foi a especulação na altura mas foi preciso esperar 10 anos para sabermos, afinal, o que foi dito! E basicamente, nas palavras do próprio, foi isto:

«Quando o Busquets caiu atordoado ao chão, eu estava entre o meu banco, o do Barcelona e o lugar onde o Thiago Motta foi expulso. Pelo canto do olho vi o banco do Barcelona a celebrar aquilo como se tivessem ganho, o Guardiola a chamar o Ibrahimovic para falar sobre táticas de 11 contra 10… Simplesmente disse-lhe “não façam já a festa porque isto ainda não acabou”.

Apesar da derrota nesse jogo, contra o Barcelona, a vitória na primeira mão garantiu a tão desejada passagem à final. O que levou Mourinho a festejar efusivamente… e de forma mais uma vez polémica: correu para o centro do imponente Camp Nou, em Barcelona, e ergeu os braços de raiva, apontando para os adeptos milaneses que estavam no topo da bancada. O que levou à revolta de alguns jogadores dos blaugrana, que tinham acabado de ver o sonho fugir-lhes por entre os dedos…

Recordar esta equipa do Inter de Milão é recordar uma equipa que jogava “à Mourinho” em todo o seu esplendor: uma equipa com uma garra, capacidade de resistência e elasticidade táctica tremendas…algo pouco visto hoje em dia. Nesta equipa não havia nenhuma super-estrela, nem era preciso: foi sempre o colectivo que brilhou. Sob o comando do “special one”. A comprovar a importância da sua liderança… está o facto de o Inter de Milão nunca mais ter ganho nenhum campeonato desde a sua saída.

Respect.