Marcus Rashford provou durante o isolamento provocado pela pandemia que toda a gente, sem excepção, pode e deve ter uma palavra activa para defender aqueles que mais precisam de ajuda – independentemente da forma de ajudar. E sem dúvida nenhuma que acaba de fazer o seu melhor golo da carreira. Um golo que certamente fará com que muitas crianças possam seguir o seu sonho de se tornarem desportistas, como ele.

Já temos escrito aqui no Pela Fechadura vários textos sobre a participação na vida social e comunitária de alguns dos grandes ícones do desporto e entretenimento – contrariando uma ideia que muitas vezes surge no ar e que vai no sentido de estas grandes estrelas não terem um papel activo na sociedade, conforme podem pela sua influência e poder económico. De facto, nos últimos tempos, temos tido muitos exemplos práticos que enterram definitivamente essa ideia, e que nos fazem perceber novamente que também o desporto é muito mais do que aquilo que se passa dentro dos relvados, pavilhões ou circuitos por esse mundo fora.

Marcus Rashford, avançado de 22 anos do Manchester United, é o grande protagonista desta história que está a emocionar tanta gente. Isto porque durante o período de isolamento usou o seu poder para angariar fundos que se destinavam a proporcionar refeições a crianças em maiores dificuldades. Com esta iniciativa, em conjunto com a associação FareShare, o avançado ajudou activamente a arrecadar mais de 22 milhões de euros.

Entretanto, durante o mês de Março, também o governo britânico criou uma iniciativa que visava proteger estas pessoas em situação difícil: e criou vales de alimentação que abrangem mais de um milhão de crianças, que continuaram assim a ter acesso a refeições grátis, tal como acontece quando estão a frequentar a escola, no dia-a-dia “normal”. Mas durante a passada semana ficou a saber-se que estes vales não existiriam durante o período das férias escolares, deixando muitos sem esta tão preciosa ajuda. E é aí que entra novamente Rashford, que no domingo escreveu uma carta aberta a todos os deputados do parlamento, pedindo que reconsiderassem e prolongassem esta campanha de vouchers durante o período de férias.

As palavras de Marcus Rashford não foram em vão e, ao início da tarde de hoje, o governo anunciou mesmo a extensão desta ajuda, que vai assim prolongar-se como pedido, com um investimento extra de cerca de 130 milhões de euros.

Rashford faz muitas vezes a diferença dentro de campo mas este é sem dúvida o seu maior legado enquanto futebolista. E das palavras da sua carta aberta, não nos saem da cabeça estas, que dizem tanto:

This is not about politics; this is about humanity. Looking at ourselves in the mirror and feeling like we did everything we could to protect those who can’t, for whatever reason or circumstance, protect themselves. Can we not all agree that no child should be going to bed hungry?

Chapeau, Marcus.