Os Yeezy são em tudo diferentes de todos os outros ténis que já vimos. Desde a história da sua criação ao produto final que vemos, mais aqui pela internet do que até em prateleiras das principais lojas da especialidade. Têm aquele factor de exclusividade que faz com que sejam muito desejados e, consequentemente, difícieis de obter -- são lançados pela Adidas em lotes de edições muito limitadas e isso faz também com que se tornem rapidamente peças de colecção com um valor altíssimo, muitas das vezes superior ao da compra. Mas… como é que os Yeezy se tornaram tão especiais?!

O ADN E A RIVALIDADE

Todos os anos as principais marcas que apostam em ténis lançam dezenas de novos produtos, quer sejam integralmente novos ou novas versões de modelos já bem estabelecidos no mercado. E assim alimentam a sua cadeia de produção e os desejos dos clientes já fidelizados. Um excelente exemplo disso são os Air Force One, da Nike, por exemplo.

No caso dos Yeezy, podemos mesmo falar em algo diferente. Uma verdadeira inovação quer no design quer nos materiais utilizados, assim como na promoção e distribuição! Na génese deste modelo, e todos os seus derivados, está o pensamento do rapper norte-americano Kanye West e da sua equipa de design. Sempre aliados a marcas fortíssimas.

Diz-se que em 2006 já Kanye tinha desenhado uns ténis para a Adidas, mas que estes nunca viram a luz do dia. Entretanto, e até 2013, altura em que a sua parceria com a marca alemã foi oficializada, criou modelos para marcas como Louis Vitton, Giuseppe Zanotti e… Nike. E foi mesmo no âmbito da parceria com a Nike que viriam a surgir os primeiros Yeezy – 1 e 2.

YEEZY 1
YEEZY 2

A relação com a Nike acabou por terminar e alegadamente porque Kanye não recebia royalties da venda dos ténis que ele próprio criou. O que levou a que contactasse a Adidas (autch!), que aceitou criar novas colecções Yeezy a troco de, entre outras coisas, os tão desejados royalties.

YEEZY by Adidas

O PROCESSO CRIATIVO

Mas afinal qual é o principio da criação dos Yeezy? Kanye West responde, entre outras coisas, que a sua inspiração vem de tudo o que observa, por exemplo, no design de interiores, e até… da bíblia. Acrescentando mesmo que transmite aos seus criativos que para tirar referências “a Bíblia é melhor que o Pinterest”.

O processo criativo para desenhar um novo Yeezy não é sempre linear. Ainda nas palavras do próprio, durante uma entrevista à Forbes, pode começar com “um esboço, com uma referência vintage, com a referência de uns ténis anteriores que tenhamos feito(…), com sentimentos(…), com filmes(…), com as experiências que tive enquanto crescia”. Um processo que, pelo menos no seu início, é altamente pessoal.

UM IMPÉRIO

A associação de celebridades a modelos específicos de ténis não começou com os Yeezy. E sem dúvida que os Air Jordan, da Nike, são o melhor exemplo de que estas parcerias podem ser perfeitas para ambas as partes e fortalecer-se ao longo do tempo. Ainda segundo a Forbes, a colecção da Nike facturou em 2019 perto de 3 biliões de dólares, praticamente o dobro da facturação que teve a Adidas com os Yeezy. E a conclusão é óbvia: os Air Jordan continuam a vender mais mas ambas as colecções estão num patamar de relevância no qual não cabem outros exemplos.

Apesar da diferença no retorno de vendas, Kanye West pode gabar-se de uma realidade incomparável: é que a Adidas produz, distribui e comercializa estes ténis. Mas o império que já vale biliões de dólares, a marca Yeezy, é 100% dele. Fazendo com que o próprio tenha entrado, como tanto desejava, na lista dos bilionários da Forbes.