AP Photo/Frank Augstein

Faz hoje quatro anos desde que sentimos aquela força interior que parecia querer dominar o mundo. Sentimo-nos a vingar 2004 e a provar que afinal esta Nação Valente e Imortal também é Vencedora, Campeã. O dia 10 de Julho vai sempre levar-nos de volta até ao Stade de France onde foi escrita a página mais bonita da história do futebol português.

Olhando para trás, percebemos que a história da nossa selecção desde 2004 dava um filme. Nesse ano, depois de um mau início, vivemos intensamente uma caminhada incrível até à final, na qual inesperadamente perdemos contra a Grécia. Em 2006 voltámos a encantar no Mundial da Alemanha, tendo mesmo eliminado a Holanda e a Inglaterra, até que fomos derrotados pela França nas meias-finais (através de uma grande penalidade que ainda hoje não aceitamos como justa…). Nos anos seguintes as boas exibições continuaram, até que no Europeu de 2016 – onde voltámos a começar muito mal – acabamos por chegar à final contra a equipa da casa. Vencemos e vingámos não só 2004 e 2006 mas também demos um motivo de felicidade extra a tantos e tantos emigrantes portugueses que vivem em Paris e se sentiram, por alguns dias, legitimamente superiores aos seus patrões e colegas de trabalho franceses. Foi uma vitória no campo mas que transcendeu e muito as quatro linhas: afinal, não somos a nação “do quase”- somos Campeões da Europa, título que permanece nosso até ao dia de hoje.

É impossível descrever tudo o que sentimos neste dia quente de 2016. Mas podemos destacar aqueles que foram, para nós, os três momentos mais incríveis desta conquista:

A QUEDA E A BORBOLETA

Para acrescentar uma camada ainda mais dramática a este “filme”, aos 8 minutos de jogo Cristiano Ronaldo sofre uma entrada duríssima de Payet e fica em grandes dificuldades. Sai de campo para ser assistido, volta a entrar em campo mas ao minuto 16 cai novamente no chão e chora de forma copiosa. Percebemos logo que o melhor jogador do mundo não ia poder continuar a jogar a final, e as suas lágrimas passaram a ser também as nossas. Por muito que parecesse na altura um detalhe, no final do jogo toda a gente se lembrou daquela borboleta que parou no seu olho e que parecia, de forma mágica, querer dizer-lhe e dizer-nos alguma coisa.

ÉDER E O ACREDITAR

Todos conhecemos a história do patinho feio, certo? A de Éder não é muito diferente – muitas das vezes criticado por adeptos portugueses pelas suas prestações e por fazer poucos golos. As circunstâncias do jogo levaram a que Fernando Santos sentisse necessidade de o colocar em campo ao minuto 78′, e ainda bem que o fez. À passagem do minuto 109’, já na segunda parte do prolongamento, recebeu a bola de João Moutinho numa zona lateral, à entrada da área, e mesmo com a pressão forte do francês Koscielny conseguiu esgueirar-se para a zona central e, perto da meia-lua, rematou com a força de todo um povo e fez o golo mais importante da história do futebol português. Um momento verdadeiramente arrepiante e que, nos festejos, percebemos porque é que aconteceu. Éder levava nas caneleiras uma luva que calçou e onde estava escrito, para o mundo inteiro ver: “Believe”.

E claro, não podíamos deixar de mostrar o melhor e mais português vídeo deste golo:

A PARADA DOS CAMPEÕES

“Épica” é a única palavra que serve minimamente para descrever a recepção aos nossos Campeões da Europa. Desde o aeroporto até ao palanque onde falaram com a multidão que os esperava, no coração da capital. Muita, muita gente quis felicitar os jogadores e toda a comitiva – e alguns até corriam ao lado do autocarro que os transportava com a taça, quase como que a querer eternizar aquele momento de partilha. Esta “parada” da vitória foi o momento em que fizemos as pazes com 2004… e em que percebemos que queremos mais. Muito mais!

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Nas eternas palavras de Éder em Julho de 2016…

“É FERIADO HOJE CAR****OOOOO!”