Aconteceu ontem à noite o espectáculo – isso, foi mesmo um espectáculo – de entrega dos prémios PLAY, cujo objectivo é premiar a música portuguesa. Lena D’Água, Camané com Mário Laginha e ainda os Capitão Fausto foram os mais premiados mas o momento da noite foi mesmo protagonizado por um dueto improvável: Pedro Abrunhosa com Profjam.

É refrescante ver que em Portugal a música portuguesa parece ganhar cada vez mais espaço na cabeça dos ouvintes/telespectadores. Prova desta força é mesmo o facto de mais de 90% das rádios portugueses terem cumprido em 2019 – e em muitos casos até ultrapassado -- a quota mínima de 25% de música portuguesa nas suas playlists. Os prémios PLAY são também um reflexo deste movimento pro-música portuguesa, em que esta é valorizada não só no seu meio natural, o áudio, mas também através de um espectáculo multimedia televisionado para o país inteiro e com acompanhamento live nas redes sociais.

VENCEDORES E VENCIDOS

Créditos: Rita Carmo

Os grandes vencedores da noite foram mesmo Lena D’Água (Melhor Artista Feminino; Prémio da Crítica), Camané com Mário Laginha (Melhor Álbum; Melhor Álbum Fado) e Capitão Fausto (Melhor Grupo; Canção do Ano). O prémio para Melhor Artista Masculino foi entregue a Slow J, Bárbara Tinoco levou para casa o prémio de Artista Revelação e os Xutos e Pontapés receberam o Prémio Carreira.

Pelo contrário, The Gift e Nenny, nomeados em duas categorias cada, não venceram nenhum prémio. Podem ver todos os nomeados e os vencedores aqui!

O MOMENTO DA NOITE

O espectáculo valeu pelo seu todo – a começar pela apresentação cheia de personalidade (como já é habitual) de Filomena Cautela e Inês Lopes Gonçalves – mas também por este momento que nós, deste lado da ‘Fechadura, vimos como sublime: o dueto de Pedro Abrunhosa com Profjam. Primeiro por ser um dueto improvável e depois porque vimos nele um Pedro Abrunhosa sem preconceitos e a arriscar fora da sua zona de conforto, tal e qual uma estrela de rap. E depois porque Profjam, longe de ser um artista consensual, consegue continuar a surpreender com a sua capacidade de emprestar às músicas em que participa muita da sua alma artística, diferente de todas as outras. No fundo estiveram em palco dois artistas que não tendo no canto a sua força maior, são músicos à séria, no melhor sentido do termo. E provaram-no!