Será sempre o actor que fez “A Máscara”, “Dumb and Dumber” e “Bruce Almighty”. Aquele que nos faz rir desmesuradamente e sem maneiras em qualquer um destes filmes e mesmo que já os tenhamos visto vinte vezes. Mas para o próprio, o filme que fez e que mudou a sua vida, foi “Man on the Moon”, aquele em que interpretou o polémico humorista Andy Kaufman – um dos seus ídolos. E felizmente há um documentário que nos ajuda a compreender como e porquê!

A cara de Jim Carrey é uma daquelas que associamos imediatamente à comédia norte-americana, apesar de ter nascido em Ontario, no Canadá. No entanto, a sua vida pessoal não tem sido nenhum mar de rosas. Desde as dificuldades financeiras que viveu enquanto adolescente e que o fizeram deixar a escola aos 16 anos para dar os primeiros passos na comédia e começar a ganhar algum dinheiro, aos vários romances falhados e algumas dependências como alegadamente álcool, café e drogas. Mas o seu principal obstáculo, constante, têm sido as várias depressões de que já sofreu.

Segundo o próprio, um desses momentos baixos na sua vida começou logo a seguir a ter feito o filme “Man on the Moon”, um biopic sobre a vida de Andy Kaufman – o humorista controverso que chocava tudo e todos na televisão com a sua atitude desafiadora de todos os padrões de “comportamento natural” naquela altura. E ao ver o documentário de 2017 “Jim and Andy”, percebe-se perfeitamente a razão deste momento difícil.

Este documentário intercala imagens reais de bastidores do filme e comentários actuais do próprio Jim Carrey. E conta-nos como ele, depois de não ser inicialmente o actor preferido do realizador Milos Forman para o papel, se interessou por ele ao ponto de ter tido a necessidade de entrar dentro do personagem a 100%: assumindo, em todos os momentos -- dentro e fora do set de filmagens – que era efectivamente o próprio Andy Kaufman. E desenganem-se, não foi de todo uma brincadeira. Durante a rodagem do filme, Jim Carrey foi efectivamente outra pessoa. E as dificuldades em lidar com esta perspectiva extrema de actor de método foram muitas: a relação com o realizador e com alguns dos outros actores teve momentos muito difíceis, e inclusivamente a Universal chegou a anunciar à equipa o cancelamento do filme.

São cerca de duas horas a não perder. Porque vemos tudo aquilo, tão único, que se passou nos bastidores deste filme tão marcante, mas também porque temos connosco o Jim Carrey de 2017 a explicar-nos o que fez e o que sentiu em cada momento.

Sem querer desvendar demais, retivemos uma frase que explica muito bem o impacto real que tiveram na sua vida estes meses que viveu enquanto outra pessoa. Segundo o próprio Jim, quando a rodagem acabou foi difícil voltar à sua vida, à dimensão real:

Não preciso que me agarrem. Sinto-me bem a flutuar pelo espaço como Andy. Só a voar a 9500 km/hora à volta do Sol. A equilibrar-me em placas tectónicas que flutuam sobre lava. Pronto para a chegada do fim dos tempos e o que quer que venha a acontecer. Sinto-me fantástico [assim]