A decisão foi esta manhã anunciada pela Academia Portuguesa de Cinema e confirma aquilo que a maior parte de nós esperava: depois do estrondoso sucesso do filme no prestigiado Festival de Cinema de Veneza, “Listen” vai representar Portugal na lista de filmes candidatos à nomeação para o óscar de “Melhor Filme Estrangeiro”.

OBRA DE AUTOR PARA ACTOR

Ana Rocha de Sousa era, até aos prémios atribuídos no âmbito do Festival de Cinema de Veneza, uma actriz reconhecida por vários trabalhos que fez no passado, há já alguns anos de distância. Agora, com este reconhecimento absolutamente fora do vulgar tendo em conta o prestígio do festival, e que acontece logo na sua primeira longa-metragem, passa directamente para o leque restrito de realizadores portugueses que almejam a voos mais altos, internacionalmente falando.

Este “Listen”, que já vimos duas vezes, revela a profundidade e criatividade com que a realizadora quis abordar o tema tão pertinente do abuso constante levado a cabo pelo sistema social britânico. Sem grande contextualização, opta por mostrar-nos um momento duro da história de uma família portuguesa a viver em Inglaterra, momento esse que é suficiente para gerar empatia e para nos conseguir passar, sem termos visto na íntegra, a história toda. Tem pormenores de fotografia e planos absolutamente mágicos – como o da criança “a voar em direcção ao sol” – e o enquadramento simbólico da máquina fotográfica é um excelente exemplo de algo que torna a perspectiva sob a qual é contada esta história ainda mais interessante.

Não há dúvida que é uma obra de autor, nem que os dois protagonistas são essenciais no sucesso deste filme. Não porque passem bem a mensagem do filme – porque isso seria sempre expectável que quaisquer actores de grande nível conseguissem – mas porque fica claro que lhe emprestam todas as ferramentas que têm enquanto actores e na medida certa. Bravo Lúcia Moniz e Ruben Garcia!

Em comunicado publicado na sua página de Facebook, a Academia Portuguesa de Cinema anunciou que “Listen” se superiorizou aos filmes “Mosquito”, “Patrick” e “Vitalina Varela”, numa votação que decorreu entre os dias 2 e 15 de Novembro. Paulo Trancoso, presidente da APC, avançou ainda que “qualquer um dos quatro nomeados seria digno representante, mas a escolha ede uma primeira obra que conquistou  Veneza, um dos mais importantes festivais de cinema do mundo, e que rapidamente se tornou no filme português mais visto do ano apesar do momento crítico que atravessamos, revela um voto de esperança no talento dos cineastas portugueses, cada vez mais reconhecidos além-fronteiras e acarinhados pelo público nacional”.

Não menosprezando minimamente os outros três filmes a concurso, parece-nos totalmente digna esta escolha. Que depois de ‘Veneza, nos faz sonhar com uma nomeação para a 93ª cerimónia de entrega dos óscares.