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Telma Monteiro é o nome que muitas mulheres judocas terão na cabeça nos próximos (muitos) anos quando pensarem em bater o record de mais medalhada de sempre em campeonatos da Europa. Hoje, em Lisboa, a sua casa, Telma cumpriu um sonho que tinha sido adiado há muito e conquistou o sexto ouro na competição. E emoção não faltou!

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Estivemos colados à televisão a ver em directo o combate da semi-final entre Telma e a Kosovar Nora Gjakova e no fim terminámos como a nossa conterrânea, arrepiados e emocionados. A meio do combate parecia tudo perdido: a nossa super-atleta tinha já dois cartões amarelos e a adversária nenhum, e por isso qualquer deslize ditaria a vitória de Gjakova. Mas quando menos se esperava, e depois de ser assistida uma segunda vez ao nariz (que continuava a sangrar), Telma voltou com uma agressividade incrível e atacou a adversária sem parar. O fim aconteceu quando, com forças que certamente vieram da bancada e da capacidade de superação da melhor judoca da história de Portugal, Telma desferiu um golpe sobre a rival, atirando-a de costas ao tapete e definindo a vitória por ippon.

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No final do combate, era clara a emoção de Telma, que teve um dos combates da sua vida, superando-se para além do imaginável.

Já a final, contra a Eslovena Kaja Kajzer, foi decidida no ponto de ouro, depois de um combate não tão brilhante e em que nenhuma das atletas – claramente já desgastadas dos desafios anteriores do dia – conseguiu pontuar durante o tempo regulamentar.

O PERCURSO E O PALMARÉS CADA VEZ MAIS INVEJÁVEL

Apesar de ser, enquanto estiver no activo, uma eterna favorita a vencer, Telma Monteiro teve um caminho sinuoso na preparação deste Europeu: há pouco mais de um mês lesionou-se no ombro e a sua participação nesta competição esteve mesmo em risco. Mas – e há sempre um “mas” que destingue os predestinados dos outros – a própria não desistiu e fez tudo para recuperar e poder chegar no melhor estado possível à prova que se realizou na Altice Arena.

No rescaldo da vitória, aos microfones da RTP, Telma confessou: “Quando acordei de manhã senti que ia fazer história”. O sonho de ser campeã da Europa em Portugal estava há muito adiado mas a própria acabou por dizer que assim foi mais saboroso, dizendo que este foi mesmo “o dia perfeito”.

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Com a família e colegas de equipa na bancada a torcer pela sua vitória, Telma Monteiro conseguiu mesmo, uma vez mais, provar que é uma atleta sem igual. É a mais medalhada de sempre dos Campeonatos Europeus – com 15 medalhas – tendo sido vencedora em 6 deles.

Foi, como sempre, um prazer assistir à sua prestação. E vê-la, depois da vitória, a apontar para as quinas de Portugal, fez-nos sentir ainda mais que a vitória também foi um pouco nossa.

Agora, olhos postos nos Jogos Olímpicos, eterno sonho de Telma e de todos os que vibram com a Nação Valente.