Ninguém estava preparado para isto, mas a verdade é que aconteceu. Gson, figura maior dos Wet Bed Gang, lançou há dias uma nova música na qual também participam Slow J e o “rei”, Sam The Kid. O tema chama-se “3,14” e tem recebido um feedback brutal dos fãs. Escusado será dizer que nós, depois de a ouvir, só podemos concordar!

Todos sabemos que a música é um veículo de expressão de emoção, de reflexão e até mesmo de celebração. Mas e quando a tudo isto se junta a recordação, e de repente uma música se torna um instrumento de memória e homenagem ao tempo? É certamente isso que vai acontecer com esta nova música que resulta da junção de três do mais fortes intérpretes do Hip-Hop português na actualidade.

Apesar dos estilos próprios, bem distintos e claramente vincados neste tema, o todo é claramente superior a cada uma das partes. Prova disto mesmo é a letra, que acaba por ser sempre incrível, independentemente do ADN artístico de cada um dos três. E melhor do que breves explicações, nada melhor para ilustrar isto que sentimos do que olhá-la com atenção nos momentos que, para nós, são os mais fortes de cada um deles:

Gson

Créditos: Rimas e Batidas

Eu não quero olhar pra baixo
Eu vou fazer tudo o que é proibido
Gravidade faz assédio as minhas asas
Mas eu não sinto vertigens nos meus gritos
Até porque eu já cantei todas as minhas lágrimas
Eu já não tenho tempo pra voltar no tempo

Eu não vou poder ficar à tua espera ou eu morro aqui ou então,
Eu vou ser pra Sempre
(…)

Slow J

Créditos: Francisco Soares

Agora eu travo as batalhas
E faço contas na mente
Se eternamente é uma farsa
Eterno é cada momento
Na estrada eu dei com uma rosa
Era uma rosa dos ventos
Mano eu vou ser pa sempre ou plantar a semente
Eu conheci o Gerson ainda antes do meu corsa
E se eu giro hoje em dia o jota nem mudanças troca
O Gerson de hoje em dia é um dread que toda a gente gosta
Só que eu curti do Gerson como pouca gente gosta

Sam the Kid

Créditos: Rita Sousa Vieira / MadreMedia

Ali onde eu borbulhei com uma agulha, eu ali abri-me
ali imprimo o meu orgulho é ali que embrulho o que eu lagrimo
e o que aprendi atrás
minha quadrilha já não brilha põe a cortina em baixo
e é no martírio onde eu me artilho onde eu partilho em paz
É onde eu me atiro à página e quando enfatizo a voz
e diamantizo a minha raiz em algo que só diz a nós
não modernizo , não entro nisso , eu eternizo avós
e que numa hora brevíssima eles ouvissem o que eu fiz após.

Desde o primeiro dia que o Pela Fechadura serve para contar histórias. E esta música é uma daquelas incríveis, que vamos contar a toda a gente de quem gostamos e que também sente não só nos ouvidos mas na pele, como nós, a música e a língua portuguesa.