A grande noite dos Oscars, nesta madrugada, originou em nós um misto de positividade e desilusão. Por um lado foi bom ver a resistência da academia que não baixou os braços e manteve a cerimónia apesar de tantas condicionantes. Mas foi uma desilusão porque faltou calor, emoção e espectáculo. Quanto aos grandes vencedores da noite, não há dúvida: Nomadland!

Se normalmente vêem a gala e ainda não espreitaram a de ontem, preparem-se: não é a cerimónia habitual. E por um lado ficamos com a ideia de que a academia não quis que houvesse sequer comparações com a gala dos Oscars com que normalmente nos brindam – para além do formato muitíssimo alterado (ainda mais lento) e de se ter realizado em vários locais pelo mundo fora, até os grafismos concebidos são repletos de cor e vida e menos charme. Pareceu tudo feito para que pensássemos que era uma cerimónia diferente. Mas ainda bem! Significará que foi uma solução de recurso, fintando as restrições impostas pela pandemia e que para ano, esperemos nós, tudo esteja perfeito e cheio de glamour e momentos divertidos, como vinha acontecendo até ao ano passado.

A GRANDE VITÓRIA DE UM FILME ESPECIAL

A academia tem tido o mérito de, nos últimos anos, premiar talento tão encantador quanto diverso. E esta noite foi mais um sublinhado nessa nova pluralidade: Nomadland, filme realizado por Chloé Zhao e protagonizando por Frances McDormand, dominou e venceu em três das principais quatro categorias: Melhor filme; Melhor Actriz Principal e Melhor Realizador.

Premiar este filme é premiar um filme que retrata de forma crua e ao mesmo tempo com uma beleza simplista (no melhor sentido do termo) uma América profunda e real. E para além da interpretação de McDormand que não deixa ninguém indiferente, há muitos outros pormenores a valorizar como o facto de terem recorrido a não-actores – pessoas com histórias reais, comparáveis à narrativa do filme – para interpretar algumas das personagens.

Outros prémios esperados e, pela nossa perspectiva, inteiramente merecidos, foram a vitória de Anthony Hopkins do Oscar de Melhor Actor principal (no filme Father) e da sul-coreana Yuh-Jung da estatueta para a Melhor Actriz secundária (pelo papel em Minari).

Por outro lado, o grande derrotado da noite acaba mesmo por ser Mank, a mega produção da Netflix que contava com 10 nomeações e ganhou apenas 2 prémios: Melhor Guarda-Roupa e Melhor Cinematografia.

Para ver a lista completa de prémios cliquem aqui.

OS MELHORES PARA VER NO CINEMA!

A boa notícia é que, com a recente reabertura dos cinemas, muitos destes filmes já poderão ser vistos por todos no grande ecrã. Neste momento só mesmo o incrível Nomadland já está em exibição, mas em breve o mesmo acontecerá com Minari e Father, os outros dois filmes de que gostámos muito e que valem tanto a pena ver…!