A VITÓRIA QUE ESTÁ A CHOCAR O MUNDO!

Meio mundo está chocado com a vitória de um adolescente norte-americano no campeonato do mundo de “Fortnite”. Ou melhor, com o prémio monetário referente à vitória! Kyle Giersdorf levou para casa nada mais nada menos do que 3 milhões de dólares! Para muitos um absurdo, para outros talvez nem tanto. Para mim, a verdade é que…

O jovem Kyle Giersdorf, de 16 anos e que vive em Pennsylvania, nos Estados Unidos, ganhou no passado Domingo o mundial de “Fortnite”. Este jogo, que há muito se tornou num marco da história do gaming, já tinha estado nas bocas do mundo quando a Nike decidiu ter produtos seus exclusivamente à venda na loja virtual do jogo – praticamente assumindo que o “Fortnite”, apesar de ser uma realidade “virtual”, fazia sentido enquanto negócio para uma marca desta dimensão e segmento (lifestyle). Agora o tema é outro: o valor monetário do prémio do vencedor do campeonato mundial do jogo, cuja edição de 2019 se realizou em Nova Iorque.

Antes de mais, um ponto prévio: 3 milhões de dólares é muito dinheiro. Muito dinheiro mesmo, uma quantia que nem dá muito bem para imaginar na prática. Mas será que o que está a chocar tanta gente é mesmo a quantia em si? Na verdade, não me parece. O que acho é que aquilo que faz com que tantas vozes critiquem estes valores é o facto de eles terem sido praticados num campeonato de um jogo virtual que por acaso foi ganho por… um “miúdo” de 16 anos.

 

Confesso que quando vi a notícia pela primeira vez também pensei: “o quê?? está tudo louco!”. Mas decidi investigar um pouco e algum tempo depois consegui aceitar melhor. Porquê? Porque percebi bem a dimensão da indústria dos jogos virtuais! O “Fortnite” é ao dia de hoje um dos jogos de computador/consola mais populares de sempre – leiam este artigo da revista Forbes que explica bem os recordes que o jogo tem batido. Só na fase de qualificação para este campeonato do mundo participaram 40 milhões de pessoas! No global, são mais de 250 milhões os que jogam “Fortnite Battle Royal”. Números estratosféricos e que nos revelam também o negocio por trás do jogo. Daí que, na verdade, se compararmos, a título de exemplo, o prémio do vencedor do torneio de ténis de Wimbledon (um dos mais prestigiados) no valor de cerca de 2,8 milhões de dólares… os 3 milhões do miúdo Kyle não são assim tão únicos e desapropriados!

Tudo tem um contexto… e este prémio também! As indústrias com este nível de dimensão e consumo entram numa “outra liga”, quase irracional e impossível de acompanhar e aceitar. O meu ponto é: o prémio é de facto astronómico, mas há muitos outros que o são igualmente. O mal é global, e não reside apenas nos jogos virtuais. No resto da vida real também existe 🙂

JM.