LEAVING NEVERLAND: O QUE FEZ AFINAL MICHAEL JACKSON?

 

Desde há alguns dias que este documentário está nas bocas do mundo. Reacções de todos os tipos já foram noticiadas: muitas em protesto, tendo em conta novos testemunhos, e algumas também em defesa do maior ícone de sempre da música Pop. Afinal, o que é “Leaving Neverland” e o que nos diz de novo?

Michael Jackson, também conhecido como “Rei da música Pop” é um dos maiores artistas de todos os tempos. E arrisco-me a dizer que tem o seu lugar no topo marcado para sempre. Continuam a ser seus os recordes de maiores vendas: Thriller é o álbum mais vendido de sempre, com mais de 100 milhões de vendas e Michael Jackson vendeu, no total de todos os seus trabalhos, mais de 1000 milhões de “cópias”. Ninguém está a este nível e disso ninguém duvida, acredito eu! 🙂

No entanto, foi sempre preocupante a constante nuvem de desconfiança que existia à volta dele, nomeadamente em relação à forma no mínimo “especial” como lidava com crianças. Este documentário, “Leaving Neverland”, surge agora precisamente por isso, e com o propósito de revelar os testemunhos de dois homens que, quando eram crianças, privaram com Michael Jackson. Wade Robson – um jovem fã que como tantos outros tinha as paredes do quarto cobertas com posters de Michael Jackson e que, por ter ganho um concurso de dança, ganhou o direito de conhecer este seu ídolo – e James Safechuck, também um miúdo de uma família normalíssima que começou a ser agenciado para participar em anúncios televisivos e, num daqueles em que participa, acaba por conhecer também MJ.

A forma como a vida destas três pessoas – Wade, James e Michael – se cruza tem tanto de natural e bonita como de horrenda. Mistura a beleza e inocência dos sonhos com a crueldade da realidade. E em alguns momentos do documentário é difícil perceber de que perspectiva devemos olhar as coisas. Foi assim que me senti até que começaram a descrever as situações de que toda a gente já suspeitava mas que apenas agora foram admitidas por Wade e James… E aí foi duro. Deixo-vos só esta frase que me marcou: “(…) ele estimulou a minha criatividade, ajudou-me na carreira e abusou sexualmente de mim durante 7 anos”. Não quero ser ainda mais spoiler, por isso têm mesmo que ver 😉

Em termos técnicos, este conteúdo da HBO é entretenimento de qualidade acima da média. Muito pela forma como foi construído – com o apoio de muitas imagens antigas e testemunhos mas, sobretudo, recorrendo sempre a uma híper descrição que nos faz estar lá, em cada momento. E faz com que seja tudo muito claro e ao mesmo tempo frio e chocante. Muito chocante. Como um murro no estômago! A sonorização também é um big yes, ao ilustrar na perfeição cada momento, recorrendo a um balanço constante entre a banda sonora e silêncios ensurdecedores enquanto ouvimos os testemunhos. Dan Reed, o realizador, consegue mesmo fazer-nos pensar. Durante e após o documentário. Sim, porque quando acaba não deixa ninguém indiferente… acreditem! Por todo o mundo multiplicaram-se reacções, mas esta ficou-me na cabeça depois de ter lido: a de lojas especializadas em música que retiraram todos os discos de Michael Jackson que tinham à venda. Faz sentido? Eu quero acreditar que não. E tento sempre separar o artista da pessoa (como com Woody Allen e Kevin Spacey), ainda que perceba que em alguns casos, como este, possa ser difícil. Depois de ver este documentário tento, ainda sem sucesso, responder a qualquer uma das perguntas abaixo…

Vou continuar a ouvir a música de Michael Jackson da mesma forma?
Continua ele a ser o incrível e único “Rei da Pop”?
Faz sentido admirá-lo?

A única resposta que tenho neste momento é “SIM”, este documentário é um must see.

JM