SÉRIE DO MOMENTO: “THE END OF THE F***ING WORLD!”

 

Um artigo que li online inspirou-me para espreitar “The end of the f***ing world”. Para além do nome, que por si só já seria motivo de interesse, pareceu-me logo que seria uma série completamente distinta de todas as que já vi. Conta a história de dois adolescentes que não se sentem integrados no meio em que vivem e que por isso decidem virar os seus mundos ao contrário e de uma maneira no mínimo… perigosa! Os utilizadores do IMDB dizem que vale 8,1 em 10 e eu confirmo!

Ultimamente não tem sido fácil agarrar-me a uma série loucamente e vê-la sem parar, como normalmente faço. O Sábado na TVI tem ocupado muito (e bem, diga-se! 🙂 ) a minha cabeça e no meio de tantas outras obrigações e tempo dedicado àqueles que mais gosto, as séries têm ficado um bocadinho para trás. Até… começar hoje a ver “The end of the fuck*** world”! A série é de 2017 mas foi agora, há bem pouco tempo, que foi lançada a segunda temporada na Netflix. Para já ainda vou na primeira temporada – mais especificamente no episódio quatro – e posso dizer-vos que vi estes quatro primeiros episódios de seguida e só parei, literalmente, para escrever este texto! E não resisto em escrevê-lo porque de facto sinto que está aqui um óptimo trabalho quer em termos técnicos quer na narrativa que criaram.

A série pretende contar a história de James e Alyssa, interpretados por Alex Lawther e Jessica Barden. Dois adolescentes que seguimos desde os minutos iniciais do primeiro episódio quer nas suas acções, quer nos seus pensamentos. E logo aí temos o primeiro factor distintivo da série: acompanhamos dois planos que apesar de andarem juntos, nem sempre estão em conformidade – nem sempre o que pensam corresponde à forma como agem. São dois miúdos que nos fazem lembrar alguém com quem nos cruzámos na escola e que por se sentirem excluídos decidem tentar dar uma volta de 180 graus na sua vida. Como?! Vá, calma, não vou ser assim tão spoiler!! 😉

Do que vi até agora pude confirmar as opiniões positivas que já tinha lido, assim como as de alguns amigos que já me tinham dito para experimentar ver: é uma série completamente distinta de todas as outras pelo seu mix técnico e de narrativa. Por um lado, tecnicamente, é uma série que vive muito daquela fotografia “tipicamente” british, diria até mesmo vintage. Vemos muitas referências aos anos 80, 90 e até ao início do milénio nos carros, nas casas e até na música que vemos materializada nos gira-discos de vinil, por exemplo. Também a música tem um papel fundamental e é muito bem escolhida em função de cada momento: acentua bem este espírito retro e pontua na perfeição os momentos mais dramáticos e que muitas das vezes são também insólitos – quer seja com uma música francesa cheia de charme ou algo mais pop ou rock and roll. Já no que toca à narrativa, aquilo que mais me tem fascinado é sem dúvida o guião, repleto de criatividade, piada (há momentos em que parece que saímos por segundos do enredo para as personagens poderem brilhar por si com apenas uma tirada) e sarcasmo – muito longe daquilo que vemos em qualquer outra série. Ah, e não posso elogiar a narrativa sem elogiar a forma como decidiram dividi-la: em episódios com cerca de 20 minutos. É uma lufada de ar fresco e a única desvantagem que tem é que ficamos rapidamente à espera da temporada seguinte!

As personagens principais, James e Alysa, merecem também um destaque, apesar de gostar mais de deixar estas considerações para o final das séries. São eles a construir a dinâmica da trama de episódio para episódio e até agora com muita personalidade. Mais uma prova de que a idade, por si só, não é um posto.

Agora desculpem que tenho o quinto episódio – e o sexto, sétimo e oitavo – para ver ainda hoje. E neste momento é algo que não consigo mesmo adiar 🙂

JM.