“TWO POPES”: A RAZÃO DO SUCESSO!

“Two Popes” está disponível na Netflix desde o fim de novembro mas foi em dezembro que captou a atenção de todos. Agora, depois de toda a agitação à volta do Natal e passagem de ano, consegui finalmente vê-lo e apeteceu-me imediatamente agarrar no computador e escrever-vos este texto. É um filme que nos mostra, como nunca vimos, os bastidores do misterioso mundo do Vaticano. E só por isto já valia a pena conhecê-lo… Mas há algumas razões mais! 😉

Este é um filme que nos fala sobre o coração da igreja católica e que é inspirado em factos reais, motivos que são mais do que suficientes para à partida esta ser uma aposta surpreendente por parte da Netflix. Primeiro porque o tema “religião” nunca é um tema fácil de abordar (o que aconteceu recentemente com o conteúdo especial de Natal da Porta dos Fundos é o melhor exemplo disso) e depois porque é um tema quase sempre mais histórico do que de acção. Por isso quando vi que este filme estava em produção e mais tarde quando o vi a ser lançado desconfiei – percebi rapidamente que tinha de o ver para perceber o porquê de o terem feito.

Spoiler alert: este filme é melhor do que provavelmente estarão à espera!

Assim que o vi… fez-se luz! Este filme rasga com muitos outros que já vimos sobre religião porque conta uma história muito relevante e de forma actual e fresca. O realizador Fernando Meirelles, que em 2002 lançou o mítico “Cidade de Deus” (filme obrigatório!!), foi capaz de perceber que a matéria-prima que tinha em mãos dava para fazer um filme marcante… e fê-lo ao centrar a acção nos detalhes mais deliciosos!

Estamos nos bastidores do Vaticano, da igreja. Vemos um mundo que é sempre privado e sobre o qual só ouvimos rumores. Mas a ver este filme estamos lá, sem barreiras. Acompanhamos a eleição de um papa e a partir daí como tudo aconteceu até aos dias de hoje! Conhecemos genuinamente duas filosofias diferentes, duas interpretações da religião que pouco têm em comum. Vemos discussões ricas, com diálogos intensos e muito bem escritos e em que a filmagem acompanha o ritmo do batimento cardíaco no calor do momento. Está tudo certo!! A última vez que tinha sentido isto em relação aos diálogos foi em… Green Book! Agora pensem… 🙂

Anthony Hopkins, que dispensa apresentações, é outro dos pontos fortes do filme, sem sombra de dúvidas. Tem aqui uma interpretação marcante e muito física. Há dois ou três momentos em que nos esquecemos mesmo completamente que é ele! A forma como anda, como olha lentamente e como move as mãos (na cena da sua aclamação, que puxei para trás e vi quatro vezes, é espectacular perceber como é perfeita a sua representação) são as maiores provas de que este era o homem certo para o papel. Já Jonathan Pryce é uma boa surpresa, conseguindo atingir em pleno o registo de tranquilidade e sobriedade da pessoa que representa e, em alguns momentos, de nos tocar emocionalmente com o que diz!

Estes dois actores são a alma do filme e a riqueza das suas interacções faz com que queiramos saltar as partes do filme em que não estão juntos em cena. Talvez por isso os primeiros 30/40 minutos sejam excelentes e depois haja alguns momentos mais calmos pelo meio até voltar a ser muito interessante perto do final.

Por tudo isto digo-vos que o filme merece todo o hype que está a ter e que devem vê-lo claro. Sejam crentes ou não, nunca se esqueçam: uma boa história bem contada merece sempre atenção 🙂

JM.