UM DESABAFO SOBRE A MINHA GERAÇÃO

Nos últimos tempos dei por mim a pensar várias vezes em como a minha geração é tão diferente das anteriores. O grupo de chamados millenials, no qual me incluo, encontrou um mundo novo, diferente, e com desafios mais rápidos. Somos um grupo gigantesco de pessoas que já nasceu dentro da “era digital”, mas será que somos assim tão superficiais como tanta gente pensa?

Na teoria fazem parte deste grupo de pessoas todos aqueles que nasceram entre os anos 1981 e 1996 (ou simplificando 1980-2000, como defendem outras teorias). E o termo millenials surge pelo facto de terem uma grande parte do seu crescimento já dentro do novo milénio. Para além do ano de nascimento, dizem ainda os estudos que somos uma geração com grande afinidade à comunicação e tudo o que são plataformas/meios do universo digital. Afinal… já nascemos mesmo dentro desta revolução que começou dentro dos computadores e se alastrou para telemóveis, tablets e robôts, por exemplo!

Talvez por sermos a primeira geração a viver 100% por dentro o mundo digital, somos associados a várias coisas vistas como muito negativas. Como por exemplo a febre de estarmos “sempre agarrados aos telemóveis” (ok, e aqui admito que de facto há excessos que não fazem sentido), o facto de passarmos pouco tempo na rua e muito em casa e ainda alegadamente investirmos cada vez menos em tempo passado com amigos. Pelo que me apercebo, estas são as principais criticas que nos apontam. E se em algumas consigo ver alguma razoabilidade, noutras não vejo tanta. E o que acaba por me entristecer é o facto de nos encararem como uma geração superficial apenas porque vivemos também dentro das plataformas digitais para além do “mundo físico”. Se há coisa que acredito que não somos, é superficiais. Querem ver?!

Nós, os millenials, somos a geração que impõe a todas as outras que se respeite o planeta – que não tolera o plástico e que não aprova acções que prejudiquem os ecossistemas; somos a geração que respeita os animais praticamente como se fossem pessoas (até no parlamento já há um partido que representa esses interesses); somos a geração que tenta combater como nenhuma as desigualdades sociais e que nunca fica indiferente a uma tragédia – como a de Moçambique que infelizmente nos está a atingir agora – multiplicando as formas possíveis de ajudar. Nós nunca estamos indiferentes perante nada e isso é notável. Até as marcas que nos querem vender produtos já perceberam isso e cada vez mais se focam na área da responsabilidade social, tentanto criar a percepção de serem também elas sensíveis aos temas mais importantes.

Tenho muito orgulho em fazer parte deste grupo gigantesco de pessoas que, na verdade, se importa com os valores imateriais como nenhuma outra. Claro que tem as suas fraquezas também… mas de superficial, tem muito pouco! E sabem qual é a parte mais estimulante de tudo isto? Podermos passar todos estes valores aos mais novos. Eu estou pronto. Vocês também? 😉

JM