UMA GRANDE SURPRESA DA NETFLIX!

 

Todos conhecemos aquele momento em que a série que estamos a ver termina e, de seguida, pensamos: “o que vou ver agora?!”. Ou pior, até! Quando pensamos: “de certeza que a próxima não vai ser tão boa como esta…”. Para quem não vive sem séries – como eu – este é o momento mais alto de angústia do nosso dia! Senti isto no início desta semana, até descobrir esta nova série da Netflix!


No meu caso o primeiro passo – e o mais difícil – é escolher a série que vou ver. As hipóteses de escolha são tantas que por vezes passo horas a tentar perceber qual a escolha certa! Entre Televisão, Netflix, HBO, Apple TV (e outras) muitas são as horas a fazer scroll até encontrar “a” série. Normalmente acerto… mas já aconteceu escolher uma série e depois não conseguir apaixonar-me por ela e deixar de a ver. Digamos que ao fim do segundo episódio já sei perfeitamente se me vai viciar ou não 😉

Ultimamente, com tanto trabalho, não tenho conseguido focar-me como gosto numa série. E “focar-me como gosto” significa vê-la em 2 ou 3 dias! No início desta semana acabei uma que andava a ver há já algum tempo e deparei-me então com o dilema do costume. Acabei por decidir que queria ver algo diferente… não policial, não de ficção científica/fantástico, nem de comédia. Procurei em todas as plataformas possíveis e imaginárias e às tantas, algures na Netflix, encontrei “O Método Kominsky”. Comecei a ver com alguma desconfiança… afinal, nem é uma das grandes apostas da Netflix que vemos anunciada em todo o lado. Mas passados 10 minutos… WOW!! 🙂

Começo pelo mais óbvio, os protagonistas: Michael Douglas e Alan Arkin. Ambos vencedores de inúmeros prémios durante as suas já longas carreiras – nos Óscares, Globos de Ouro e BATFA – marcam a sua presença nesta série pela forma pouco previsível como se apresentam. Michael Douglas é Sandy Kominsky, um famoso actor que dedica agora a sua vida a ensinar jovens actores a perseguir os seus sonhos no mundo da representação. A sua construção de personagem é exímia: não há qualquer padrão onde encaixe. É sério e cómico – algo que até se sente na série como um todo – e consegue mostrar de forma eficaz os dois lados de Sandy: aquilo que faz e aquilo que pensa. Para mim é uma enorme surpresa também, uma vez que os seus últimos papéis quer em cinema quer em televisão tinham sido bastante superficiais. Norman Newlander é o outro protagonista e é interpretado por Alan Arkin, que também me surpreende pela densidade que consegue colocar no personagem. Newlander é o melhor amigo de Michael Douglas e que logo após o primeiro episódio vive um momento que o marca muito! A partir daí mostra-nos que todas as vidas têm altos e baixos, sempre misturando o seu pessimismo característico com uma fina ironia.

O trabalho de ambos é incrível – Michael Douglas venceu inclusivamente um Globo de Ouro já este ano com este papel. A forma como tratam o tema do envelhecimento tem tanto de comovente e dramático como de cómico, e por isso mostram-nos que há sempre pelo menos duas perspectivas sobre cada assunto!

Nesta série vamos do riso ao choro e vice-versa em menos de uma linha de texto. E isso foi o que me entusiasmou! 🙂

JM